Páginas

sábado, 2 de dezembro de 2017

Sobre a questão Lin Piao

INTRODUÇÃO DO GRANDE DAZIBAO: Como parte de nossa homenagem ao 110º aniversário do camarada Lin Piao, e a abertura de um debate sobre a reabilitação e estudo das obras deste grande marxista-leninista-maoísta de seu tempo,  estamos publicando o presente artigo que é uma tradução de "Acerca de la cuestión de Lin Piao", matéria publicada pelo blog Gran Marcha Hacia el Comunismo. 

Esperamos que os camaradas interessados leiam com atenção, e busquem se aprofundar para poder entender o que se passou na misteriosa morte de Lin Piao, e que possam rebater as críticas injustas que foram lançadas sobre ele logo após sua morte. Infelizmente poucas foram as organizações que conduziram um estudo mais detalhado sobre as circunstâncias que ocasionaram a morte deste grande comandante que contribuiu de maneira grandiosa para o avanço do Movimento Comunista Internacional.



Estudar a história e buscar a verdade nos fatos

Mao Tsé-tung nos ensinou:
“Diante de qualquer coisa, os comunistas sempre devem perguntar a si mesmos o porquê e utilizar sua própria cabeça para examinar minuciosamente se corresponde a realidade e se está bem fundamentada; não devem em absoluto seguir aos outros cegamente nem preconizar o servilismo.
Retifiquemos o estilo de trabalho no Partido, O.E. tomo III, p. 46, Pequim, 1968

No processo de estudo e investigação a respeito de diversos aspectos e questões da ditadura do proletariado e a história e desenvolvimento do movimento operário e comunista internacional, a questão de Lin Piao merece uma atenção especial. Nesta tarefa prevaleceu o princípio de buscar a verdade nos fatos. Como apontou Mao Tsé-tung:

Por “fatos” entendemos todas as coisas que existem objetivamente; por “verdade”, a ligação interna das coisas objetivas, quer dizer, as leis que as regem, e por “buscar”, estudar.
Reformemos nosso estudo, O.E. tomo III, Pequim, 1968.

Lin Piao foi um dos dirigentes mais destacados da Revolução chinesa e em 1969 os Estatutos do Partido Comunista da China (PCCh) aprovados em seu IX Congresso o definiram como “o íntimo companheiro de armas e sucessor de Mao Tsé-tung”. É verdade que Lin Piao quis assassinar Mao através de um golpe de estado contrarrevolucionário apenas dois anos depois? Por acaso eram verdadeiras as acusações que caíram sob Lin Piao tachando o de “arrivista burguês, renegado e traidor” como Zhou En-Lai o qualificou em 1973 no X Congresso do PCCh e a posterior infame e tergiversadora campanha de crítica que se lançou sobre ele na China – ligando seu nome ao de Confúcio – adicionando-lhe os qualificativos não menos ofensivos como palhaço, latifundiário, falsificador político, vende-pátria, caudilhista militar, e enganador político que não lia livros, jornais, nem documentos, déspota, cachorro de colo da burguesia, parasita, escória, elemento nocivo, luxurioso, dissipado, superespião, imbecil, covarde, etc, etc?

Na luz dos fatos e investigação realizada pelo Grande Marcha Ao Comunismo, a acusação que a diração do Partido Comunista da China verteu desde 1972 até a atualidade sore Lin Piao qualificando-o como um contrarrevolucionário que queria capitular ante o social-imperialismo soviético resulta completamente falsa. Esta acusação foi assumida de forma seguidista pela grande maioria dos partido e organizações integrantes do movimento marxista-leninista-maoísta da época [1]. Passadas mais de três décadas e apesar da documentação que apareceu ao longo deste tempo que coloca por terra as acusações da direção do PC da China contra Lin Piao desde 1972 até a atualidade [2], a maioria dos partidos que se declaram marxista-leninista-maoístas – como os que integram ou apoiam o Movimento Revolucionário Internacionalista (MRI), não só não fizeram uma valorização científica do papel de Lin Piao e os motivos que levaram ao seu assassinato, mas persistem em seus ataques contra ele, afastados do princípio de buscar a verdade nos fatos.

Aqueles que negam a atividade revolucionária de Lin Piao e que veem apenas os aspectos negativos – o que qualificam como “linpiaoísmo” ou sinônimo de militarismo, de dar mais importância ao militar que ao político [3] se enganam. Se existiu de verdade um “linpiaoísmo” este nada tem a ver com os ataques e injúrias vertidos sobre Lin Piao, senão a se referir para defender as conquistas da Grande Revolução Cultural Proletária, a luta contra o imperialismo yankee e o social-imperialismo soviético, etc. É necessário que Lin Piao seja, de uma vez por todas, corretamente apreciado.

Uma vida à serviço da causa da revolução e do comunismo

Lin Piao nasceu em 5 de dezembro de 1907* na localidade de Huanggang, província chinesa de Hubei. Sendo estudante secundarista, esteve envolvido nas greves de 30 de Maio e no boicote de 1925, fazendo parte da Associação para o Bem-estar Social de Wuchang, presidida por Yun Tai-ying (que anos mais tarde seria um dos principais dirigentes comunistas assassinados pelo Kuomintang). Aos 19 anos, Lin Piao entra na academia militar Whampoa e em 1926 ingressou no Partido Comunista da China. Logo se destacou por seu excepcional talento estratégico. Tendo alcançado muito jovem o posto de coronel, em 1927 se une com seu regimento aos grupos guerrilheiros comunistas liderados por Mao Tsé-tung.

Lin Piao dirigiu o I Corpo do Exército do Exército Vermelho chinês e dirigiu pessoalmente a vanguarda do mesmo durante o gesto da Grande Marcha (1934-1935) e participou na ocupação de Yenan em dezembro de 1936. Seus escritos desta época são sobre “Revolução e Guerra”, no qual faz ênfase nos problemas do contato com as massas e estabelece junto a Mao Tsé-tung os regulamentos do Exército Vermelho, segundo os quais os soldados devem ajudar aos camponeses e introduzi-los nas ideias comunistas pela sua conduta exemplar.

Durante a resistência contra a invasão da China pelos imperialistas japoneses, Lin Piao dirigiu os destacamentos do Exército Vermelho (que passou a denominar-se Oitavo Exército da Rota) no norte de Shansi. Sua 115ª Divisão deu uma formidável derrota às tropas invasoras japonesas. Após ficar ferido em combate em 1938, passou dois anos de convalescência médica na URSS.

De volta à China, Lin Piao se incorpora à direção da luta revolucionária. Após a expulsão dos invasores japoneses, iniciada a Terceira Guerra Civil Revolucionária contra Chiang Kai-shek – que apoiava o imperialismo norte-americano -, em 1946 é designado comandante em chefe do Exército Vermelho na Manchúria. Em apenas um ano suas tropas cercaram e derrotaram o núcleo das forças de Chiang Kai-shek, armadas e treinadas pelos imperialistas ianques, capturando ou liquidando a 36 generais inimigos. Após a vitória do Exército Vermelho na Manchúria, Lin Piao esmagou o grosso das forças de Chiang Kai-shek no norte da China, antes de marchar sobre Pequim que se rendeu sem opor resistência alguma. Derrotado Chiang Kai-shek, em 1 de Outubro de 1949 Mao Tsé-tung proclamou na Praça de Tian An-men em Pequim, a República Popular da China.

Em 1950, ao eclodir o conflito armado na Coréia, Lin Piao dirigiu o “Corpo de Voluntários Populares Chineses” em apoio ao corpo coreano contra o imperialismo ianque e seus títeres da Coréia do Sul. Em uma contraofensiva que tomou de surpresa o comando norte-americano no sul do país dirigido pelo general MacArthur, e utilizando a tática de “maré humana”, empurrou as tropas da coalizão ianque e seus aliado até quase a derrota-los. Acometido de uma doença, Lin Piao foi retirado do cenário bélico coreano e trasladado para sua recuperação novamente na URSS. Mao Tsé-tung falou de Lin Piao como “marechal sem par” e “o marechal invencível”. Stalin disse que ele era “a primeira hierarquia chinesa cuja inteligência e coragem superam a todos. Seu punho vermelho de ferro”.
De volta à República Popular China, após ter sido varrida a linha oportunista de direita de Peng Dehuai na VIII Sessão Plenária do Comitê Central do PCCh celebrada em agosto de 1959, Lin Piao foi nomeado Ministro da Defesa, Vicepresidente executivo da Comissão Militar e membro do Comitê Permanente do Bureau Político do PCCh.

 Após a X Sessão Plenária do VIII Comitê Central do PCCh – que assentou as bases do Movimento de Educação Socialista – Lin Piao, a frente do Exército Popular de Libertação da China (EPL), iniciou em seu seio profundas transformações, destacando a abolição dos cargos – incluindo o seu próprio cargo de marechal – assim como os privilégios que os oficiais gozavam, e fortaleceu suas fileiras no trabalho político e ideológico, Lin Piao assim popularizando o maoísmo através da compilação e edição feitas por ele mesmo da primeira edição do livro de Citações do Presidente Mao Tsé-tung (1964) – o famoso Livro Vermelho – o que se traduziu em converter o EPL em um poderoso bastião e suporte do marxismo-leninismo-maoísmo.

Em seu histórico trabalho “Viva o Triunfo da Guerra Popular” (publicado em 3 de setembro de 1965), Lin Piao sistematizou brilhantemente e estendeu em escala mundial a teoria da guerra popular de Mao Tsé-tung, desenvolvendo a tese de que as “zonas rurais” do mundo, isto é, Ásia, África e América Latina, cerquem as chamadas “cidades do mundo”, referindo-se à América do Norte e Europa Ocidental, além de destacar já então a decisiva importância da ideologia maoísta ao afirmar que Mao Tsé-tung “desenvolveu de maneira criadora o marxismo-leninismo, proporcionando novas armas ao arsenal geral do marxismo-leninismo”.

Em 1966, a imprensa da República Popular da China se referia às teses de Lina Piao como parte integral do Pensamento de Mao Tsé-tung e o Partido Comunista da China declarou Lin Piao como “o íntimo companheiro de armas de Mao Tsé-tung”. Após o XI Pleno do Comitê Central do Partido Comunista da China celebrado em agosto de 1966, que aprovou a histórica “Decisão do Comitê Central do Partido Comunista da China sobre a Grande Revolução Cultural Proletária”, Lin Piao foi designado como vice-presidente do Partido, primeiro vice-presidente do comitê de assuntos militares do Partido primeiro vice-presidente do conselho de estado.

Foi em seu papel como dirigente, lado a lado com Mao Tsé-tung, da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-1969) contra a linha burguesa e revisionista dentro do Partido propugnada por Liu Shao-qi, Deng Xiaoping e outros, que, alcançou um enorme prestígio tanto entre o proletariado e o povo chinês como também entre o proletariado e as massas revolucionárias do mundo inteiro. Foi precisamente este trabalho de líder revolucionário que lhe valeu pronunciar seu importantíssimo Informe ante o IX Congresso do Partido Comunista da China (1 de abril d 1969) e que os Estatutos aprovados pelo dito Congresso definiram a Lin Piao como “o íntimo companheiro de armas e sucessor de Mao Tsé-tung”.

Por que eliminaram Lin Piao e seus seguidores?

A eliminação de Lin Piao e seus seguidores dentro do PC da China e do EPL se produziu como resultado da luta que teve lugar ao finalizar a década de 60 do século passado entre as diferentes opiniões que no seio do PCCh desejavam avançar e aprofundar a Grande Revolução Cultural Proletária (liderados por Lin Piao e Chen Bo Da), e os que queriam frear e paralisa-la (encabeçados por Zhou En-lai). A luta parece que se iniciou durante os trabalhos do IX Congresso do PCCh e se prolongou posteriormente na II Sessão Plenária do IX Comitê Central, - celebrada em Lushan (agosto de 1970) – a respeito de questões como o papel do Partido e  do EPL após a Grande Revolução Cultural Proletária, sua relação com os novos Comitês Revolucionários, a continuidade ou não do Grupo Central da Revolução Cultural, etc. As acusações lançadas contra Lin Piao e Chen Bo Da, convertendo-lhes como responsáveis de “louvar ao gênio” – para se referir à Mao – tergiversam a realidade dos fatos [4].

Uma das razões chaves que culminaram com a liquidação de Lin Piao foram as divergências no início dos anos 70 do século vinte sobre a situação internacional e o estabelecimento de uma aliança entre a República Popular da China de um lado e o imperialismo norte-americanos e seus aliados ocidentais de outro, para fazer frente à agressividade militar da URSS, linha esta elaborada por Zhou En-lai e que se concretizaria na chamada “teoria dos três mundos” – formulada formalmente em abril de 1974 na boa de Deng Xiaoping no discurso que pronunciou diante da VI Sessão Extraordinária da Assembleia Geral da ONU. Tal linha foi apoiada por Mao Tsé-tung, Jiang Qing, Zhang Chunqiao, Wang Hongwen, Yao Wenyuan e Kang Shen, e a que se opôs Lin Piao e seus seguidores.

Enquanto Zhou En-lai e os seus manobravam na arena diplomática para assentar as bases da aliança sino-americana e preparar as visitar dos líderes máximos do imperialismo norte-americano na R.P. da China, primeiro do secretário de estado Henry Kissinger e logo o presidente Richard Nixon, Lin Piao não cessou de defender sua postura de clara oposição à mesma. Assim, por exemplo, em 9 de julho de 1971, como ministro da defesa, Lin Piao dirigiu uma carta ao vice-presidente do conselho de ministro e ministro da defesa da República Popular da Albânia, Beqir Balluku, com motivo do XXVIII aniversário de fundação da Exército Popular da Albânia, a qual finalizava com as seguintes palavras: “O imperialismo norte-americano e o social-imperialismo soviético se encontram em um dilema sem precedentes, e já não está longe de sua ruína final. Que os povo da China e Albânia nos unamos com todos os povos do mundo e nos esforcemos juntos para derrotar cabalmente os agressores ianques e todos os seus lacaios!” [5]

Não poderia haver nada mais ridículo na atualidade – e o contrário é colocar uma venda nos olhos para não ver – que seguir aceitando a falsa, e desbaratada e rocambolesca história oficial segundo a qual Lin Piao capitulou diante do social-imperialismo soviético e morreu tentando fugir para a URSS chocando-se sobre a Mongólia no avião em que viajava.

A purga e eliminação física d Lin Paio e seus partidários se iniciou na madrugada de 9 de setembro de 1971. A respeito existem distintas versões: segundo umas fontes Lin Piao, sua esposa Ye Chun – também dirigente do PCCh e seu filho Lin Li Kuo, comandante suplente do grupo aéreo a cargo da fronteira com a República Popular da Mongólia e vice-diretor do comando de ataque da força aérea, após serem detidos e negarem-se a afirmar confissões sobre suas supostas conspirações, foram assassinados em alguma prisão militar de Pequim ou no aeroporto [6]; segundo outra versão, Lin Piao e sua esposa Ye Chun foram assassinados em Pequim por forças de uma unidade militar especial de segurança, que lançou vários projéteis sobre o carro em que viajavam, o qual acabou destruído, resultando ambos mortos no ato. Todas as versões apontam que as ordens vieram de Zhou En-lai.
“Na noite de 9 de setembro - escreve Robinson Rojas, comunista e periodista chileno que viveu na China nos anos de 1970-71 – foram desmembrados o estado maior geral do EPL, o estado maior da força aérea, da marinha e do exército, e purgados o departamento político geral do EPL, a direção geral de logística e o departamento de ferrovias militares. No total, cerca de 35 generais foram aprisionados nessa noite.

(...)Os generais Juang Yung-sheng e Li Tsuo-peng foram aprisionados em seus automóveis quando se dirigiam da embaixada da Coréia para o ministério de defesa no centro de Pequim. Assim, na meia-noite de 9 de setembro de, cinco dos oito membros do estado maior geral estavam presos: os generais Juang, chefe do EMG e membro do bureau político do Partido, Wu Fa-sien, subchefe do EMG e membro do bureau político e chefe da força aérea; Chu Jui-tsuo, subchefe, e membro do bureau político e comissário político da marinha; Yen Chung-chuan, membro suplente do comitê central, subchefe. O subdiretor do departamento político general, membro suplente do comitê central, Juang Chi-yung, também estava preso. Dito em linguagem política. Oito dos 25 membros do bureau político do partido, a mais alta instância de poder na China, estavam sob as baionetas ao terminar o banquete na embaixada da Coréia. Junto a estes oito, quase trinta generais do comando superior. O golpe de mão das forças de Zhou foi dado em mais estrito segredo” (...) [7]

“Uma recontagem de pessoas que acompanharam a sua queda [Lin Piao] – aponta em relação com estes mesmos acontecimentos o periodista e escritor K.S. Karol que se encontrava na China em 1971 -  permite apreciar sua amplitude: dos vinte e um membros titulares da secretaria política, somente dez permaneceram em funções (...) Por outra parte, mais se sessenta cargos e, entre os destituídos, figuravam “celebridades nacionais” como P’an Fu-chi, promotor da tomada de poder “modelo” na província de Heilungkiang, Wang Xiao-yu, presidente do Comitê Revolucionário de Shantung (citado igualmente como exemplo para a nação em 1967), Liu Ko-ping e Chang Jih-ching, presidente e vice-presidente respectivamente do bem aclamado Comitê Provincial de Shansi;  e a lista não acaba aqui, nem muito menos. No Exército Popular de Libertação, a derrubada alcançou o chefe do estado maior, a três de seus adjuntos, e a maioria dos responsáveis pela aviação, da infantaria, dos serviços políticos da marinha e a militares de diferentes graduações nas províncias. Esta recontagem ainda sendo provisório, faz pensar que os “conspiradores” não careciam de partidários no conjunto das instituições que havia criado a revolução cultural, e que estavam recrutados entre os melhores ativistas do movimento que, nos anos anteriores, haviam fixado objetivos como alcançar topos “que o nada havia alcançado o nunca”. Na realidade, no caso de que os conceitos de “maioria” e de “minoria” puderam ter um sentido em um assunto em que o voto não intervinha, deve-se admitir que foi uma minoria quem impulsionou a nova linha internacional e interior” [8]

Após a eliminação de Lin Piao e seus partidários em 1971, a política de colaboração com o imperialismo norte-americano avançou a passos gigantescos, convertendo-se no eixo da política exterior da República Popular da China, concretizando-se na contrarrevolucionária “teoria dos três mundos”, desenhada por Zhou e Deng. E isto é mais claro que água – ou como diz um ditado espanhol “não há mais cego do que aquele que não quer ver”. A eliminação de Lin Piao e seus seguidores significou a liquidação daqueles que no seio do PCCh e do EPL rechaçavam a aproximação com o imperialismo norte-americano, então encabeçado pelos assassinos Nixon e Kissinger, e sua aproximação com governos reacionários pró-ianques  (como o de Franco na Espanha, o de Pinochet no Chile, o de Marcos nas Filipinas, ou o de Mobotu no Congo).

Em vista dos fatos é incorreto qualificar a Lin Piao como um contrarrevolucionário com base na campanha carregada de falsidades lançada após o seus assassinato. A liquidação física de Lin Piao e a eliminação e depuração de seus seguidores não somente teve um efeito traumático na China senão criou um terreno fértil para que o revisionismo voltasse a ganhar pedaços de poder que havia perdido durante a Grande Revolução Cultural Proletária, culminando com o golpe de estado contrarrevolucionário na morte de Mao Tsé-tung em outubro de 1976 e a restauração do capitalismo nas mãos de Hua Guofeng e Deng Xiaoping e sua companhia.

Em escala internacional para muito muitos militantes e para muitos militantes e simpatizantes do movimento marxista-leninista-maoísta e da República Popular da China, a forma em que a direção do PCCh abordou a morte de Lin Piao criou confusão, muitas perguntas ficaram sem respostas, muitas dúvidas sem solução, o que trouxe como resultado que o PCCh – somado com a sua nova política internacional de colaboração com o imperialismo ianque e seus lacaios burgueses na Europa e outros países do mundo, consequência da teoria dos três mundos – começou a perder prestígio e autoridade entre os comunistas e revolucionários do mundo.

É preciso pontualizar que as posições errôneas de Mao Tsé-tung condenando a Lin Piao e apoiando a linha direitista de capitulação diante dos imperialistas ocidentais para frente ao social-imperialismo soviético – que tinha Zhou En-lai como máximo ideólogo, de modo algum encobrem a grandiosa vida e obra política de Mao Tsé-tung ao longo de mais de 50 anos. Foram erros no curso de luta com problemas de grande envergadura tanto na nova experiência que supôs a Grande Revolução Cultural Proletária – primeira revolução proletária sob o socialismo – como na complexa situação internacional no final dos anos 60 e início dos anos 70 do século vinte, consequência da feroz rivalidade entre o imperialismo norte-americano e o social-imperialismo soviético em escala mundial e a linha tática derivada dele e elaborada por Zhou En-lai, apoiada Mao Tsé-tung e outros dirigentes chineses como Wang Hongwen, Jiang Qing, Zhang Chunqiao, e Yao Wenyuan os quais, após a morte de Mao Tsé-tung, em outubro de 1976 ao se produzir o golpe de estado contrarrevolucionário de Hua Guofeng foram detidos, encarcerados, e julgados pelos revisionistas chineses. De modo algum, no caso de Mao Tsé-tung, se deveram a problemas ideológicos fundamentais.

Retomar a vida e a obra de Lin Piao

Os marxistas-leninistas-maoístas, os comunistas e revolucionários devem opor-se a crítica inadequada de Lin Piao, feita com argumentos falso e com métodos errôneos.
Porque Lin Piao, na luta contra a burguesia e seus agentes, contra o oportunismo e o revisionismo de todo o tipo, defendendo o marxismo-leninismo-maoísmo.

Porque Lin Piao, com suas obras e escritos teóricos, políticos e militares fez um aporte inapagável ao marxismo-leninismo-maoísmo e ao Movimento Comunista Internacional.
Porque na vida de Lin Piao, o Partido Comunista da China e o Governo da República Popular da China, aplicaram uma política exterior que correspondia ao internacionalismo proletário e prestaram grande ajuda às lutas revolucionárias dos povos de diversos países (Coréia, Vietnã, Índia, Filipinas, Malásia, Colômbia, Brasil, Palestina, França, Itália, Espanha, etc.).
Porque Lin Piao se colocou na frente da corrente histórica, dirigindo a luta revolucionária; foi inimigo irreconciliável do imperialismo, do social-imperialismo, e de todos os reacionários.
Porque a vida de Lin Piaio foi a vida de uma grande marxista-leninista-maoísta, de um grande revolucionário proletário.
Lin Piao foi um grande marxista-leninista-maoísta, que defendeu o marxismo-leninismo-maoísmo de todos os inimigos e revisionistas tanto de dentro como de fora da China e fez uma valiosa contribuição em sua compreensão e desenvolvimento. Lin Piao conta com grandes métiros no desenvolvimento e vitória da Revolução Chinesa, e muito especial no lançamento e desenvolvimento do Movimento de Educação Socialista (1963) e a campanha no seio do Exército Popular da China para o estudo do Pensamento Mao Tsé-tung (1964). E, sobretudo e muito especialmente, na gestação e desenvolvimento da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-1969), que impediu a restauração do revisionismo e o capitalismo na China durante alguns anos (mas até se produzir em 1976 o golpe de estado de Hua Guofeng após a morte de Mao Tsé-tung) e supôs um avanço para o Moimento Comunista Internacional e as lutas de libertação dos povos do mundo inteiro.
Por todas estas razões Lin Piao gozou de uma grande autoridade não só entre o proletariado e as massas populares da República Popular da China mas também entre o proletariado e as massas populares dos cinco continentes. Nas questões essenciais, como é defesa dos interesses do proletariado e da teoria marxista-leninista-maoísta, na luta contra o imperialismo e o social-imperialismo, o revisionismo, e demais inimigos do socialismo, Lin Piao foi e será sempre um exemplo para os comunistas e revolucionários.
Por tudo isto, os marxistas-leninistas-maoístas, os comunistas e revolucionários do século vinte e um devem retomar a vida e obra de Lin Piao.
O proletariado internacional, e o Movimento Comunista Internacional contam na atualidade com uma imensa bagagem de experiências, tanto positivas como negativas, para afrontar as novas batalhas contra a burguesia o imperialismo e a na grande marcha até o socialismo e o comunismo. E, muito especialmente, contam com a ideologia do marxismo-leninismo-maoísmo, a ciência da revolução elaborada por Marx, Engels, Lenin, Stalin e Mao Tsé-tung, resultado de todo o período histórico iniciado no século XIX com a Primeira Internacional, passando pela Comuna de Paris, a Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia e a construção da URSS, a Terceira Internacional Comunista e a Grande Revolução Cultural Proletária na China.
Grande Marcha ao Comunismo – agosto 2006.
*Nota do Grande Dazibao: segundo nos informa o site Wikipédia, o ano de nascimento de Lin Piao é 1907, e não 1908 como diz no texto original.
[1] A saber, só um punhado de organizações como a Liga Marxista-Leninista da Itália (que tinha sua base em Bresciae editava o periódico “Lott adi classe”) ou o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista), liderado por Mahadev Mukherjee após o assassinato de Charu Mazumdar, continuaram defendendo a Lin Piao depois de 1972. Na Espanha parece que nenhuma organização de ideologia maoísta manteve esta mesma posição. A atitude dos partidos e organizações alinhados ideologicamente com o PC da China seguiram então uma postura seguidista e acrítica a respeito desta na questão de Lin Piao.
[2] Ver, por exemplo, Livio Maitan, O Exército, O Partido, e As Massas na Revolução Chinesa, Akal Editor, Madri 1978; Richard Wich, a crise política sino-soviética, Fundo de Cultura Econômica, México 1983; Yao Ming-le, Conspiração e Morte de Lin Piao, Editorial Argos Vergara, Barcelona 1984; Chen Jian, A China de Mao e Guerra Fria, Edições Paidos Ibérica, Barcelona 2005.
[3] Não ajuda o avanço e fortalecimento ideológico dos partido e organizações marxistas-leninistas-maoístas seguir apresentando Lin Piao na atualidade como um renegado junto a Liu e Deng e negar a responsabilidade que teve Mao Tsé-tung na mudança de orientação na política do PC da China em princípios dos anos 70 do século vinte, estabelecendo uma aliança com Nixon e o imperialismo norte-americano – como fez por exemplo o Partido Comunista do Nepal (maoísta) quando afirmava em sua II Conferência de fevereiro de 2001:
Algumas pessoas não compreendem a complexidade da revolução cultural de culpam a Mao por uma série de compromissos no período mais tardio, o que é completamente errôneo
Some important documents of Communist Party of Nepal (Maoist), p. 57, Janadisha Publications, Nepal 2004.
[4] Não esqueçamos que o próprio Mao Tsé-tung em sua conversa com Edgar Snow em 1965 declarou que era necessário mais culto à personalidade; que Zhou En-lai no IX Congresso do PCCh exaltou o desenvolvimento do marxismo-leninismo de Mao com os qualificativos “com gênioe de forma criativa”. Kang Sheng em um discurso pronunciado em 21 de janeiro de 1967se referia “ao presidente Mao que imprime ao Marxismo-Leninismo um impulso fecundo, a ele o chefe supremo dos povos do universo, e seu genial pensamento”. Também em 1968, Jian Qing proclamava um discurso “... é a voz de nosso grande chefe, o presidente Mao! Longa vida ao Presidente Mao!” (Pequim Informa 68/37 17 de setembro de 1968) e Yao Wenyuan em um artigo publicado na Pequim Informa 68/35, de 3 de setembro de 1968, se referia à Mao Tsé-tung como “o grande chefe da classe operária”, etc, etc.
[5] Robinson Rojas, “China: uma revolução em agonia”, Edições Martinez Roca, Barcelona 1978, pp 282-283.
[6] Ibid., p. 293
[7] Ibid., p. 291
[8] K. S. Carol, “A segunda revolução chinesa”. Seix Barral, Barcelona 1977, pp. 476-477


Nenhum comentário:

Postar um comentário